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Um dos grandes nomes da sustentabilidade, Hunter Lovins, certa vez disse que a indústria da construção é “dinamicamente conservadora – trabalha duro para permanecer no mesmo lugar.”

Mas os velhos hábitos não podem resolver completamente novos desafios. De acordo com a 350.org, as empresas de combustíveis fósseis tem atualmente em suas reservas cinco vezes a quantidade de carbono que, se queimado muito rapidamente, pode elevar as temperaturas atmosféricas para um nível catastrófico onde, numa escala de destruição, as tempestades do furacão Sandy poderiam se tornar comum. Mais rápido, o mais profundo progresso é imperativo.

Arquitetura está numa arena essencial para a inovação sustentável. As construções representam cerca da metade da energia anual e emissões nos EUA e três quartos da eletricidade consumida. Com o ambiente da construção em crescimento, o parque imobiliário dos EUA aumenta cerca de 278 milhões de metros quadrados a cada ano; logo, os arquitetos tem uma oportunidade histórica para transformar este impacto em algo positivo.

Continue lendo para descobrir os 6 Passos que os arquitetos podem dar para transformar a profissão, a seguir…

Há sinais encorajadores. Desde que o sistema de classificação LEED do Conselho Norte Americano de Construção Sustentável apareceu cerca de doze anos atrás, mais de 929 milhões de metros quadrados de construção foram certificados ou registados, de acordo com o USGBC. A economia de energia média para edifícios certificados é de cerca de 32 por cento, e para as próximas duas décadas, é esperado um crescimento de 16 vezes da tonelagem de carvão evitado, de acordo com estimativas.

Em 2006, o Instituto Americano de Arquitetos sabiamente adotou a campanha de Arquitetura para 2030, “Desafio 2030”, uma iniciativa destinada a neutralidade de carbono na indústria em 2030. “Nós acreditamos que devemos alterar as ações da nossa profissão”, o compromisso da AIA 2030 diz, “e incentivar os nossos clientes e todo o design e indústria da construção civil a se juntarem a nós para mudar o curso do futuro do planeta.”

O AIA, no entanto, recentemente removeu o design sustentável dos requisitos de educação continuada dos membros: “Reconhecendo que as práticas de design sustentável tornaram-se uma intenção de design dominante na comunidade de arquitetura, o conselho de diretores votou para permitir que a exigência de educação de design sustentável cesse no fim do calendário do ano de 2012 “, relatou o Instituto. Outros tipos de créditos de educação continuada seguem obrigatórios.

O Conselho do AIA defende que o design sustentável tornou-se mainstream, mas não explica como ele chegou a essa conclusão. Nos últimos anos, alguns dos arquitetos mais famosos do mundo têm publicamente rejeitado a sustentabilidade, entre eles o medalhista de ouro do AIA Frank Gehry referindo-se a sustentabilidade como algo “de araque”, e o vencedor do Prêmio Nacional de Design, Peter Eisenman, insistindo que a sustentabilidade “não tem nada a ver com a arquitetura.” Enquanto isso, de acordo com a própria documentação de progresso do AIA em direção as metas de 2030, apenas 12 a 13 por cento dos projetos das empresas relatadas estão alcançando as metas atuais. Os números poderiam ser muito menores para outros arquitetos desde que os participantes do 2030 sejam presumivelmente adeptos iniciais.

A decisão de suspender a exigência de design sustentável significa que enquanto o AIA insiste que os arquitetos “devem” alterar as suas ações, uma mudança, de fato, não é obrigatória. O USGBC teve sua cota de controvérsias com os críticos protestando que o LEED não vai longe o suficiente, mas que, no mínimo, representa um padrão de referência de realização, e os números citados acima mostram um claro progresso, mesmo que este progresso deva acelerar. O AIA, que se auto intitula a principal associação de arquitetos, não tem obrigações semelhantes para seus quase 80 mil membros. Por toda a sua retórica progressiva, os esforços do AIA não garantem qualquer grau de progresso.

Os educadores não parecem estar fazendo progressos significativos também. Cinco anos atrás, Kira Gould e eu fomos co-autores de um relatório para o AIA, “Ecologia e Design: Alfabetização Ecológica na Educação de Arquitetura“, que estudou como escolas de projetistas estão abraçando a sustentabilidade. O que nós encontramos, de modo geral, é que elas não estão, pelo menos não de forma como venda no atacado. Algumas escolas oferecem um curso obrigatório introdutório, e muitos programas de graduação, tais como o de Ambientes Sustentáveis da Cal Poly, são um modelo convincente para a educação interdisciplinar, mas são estudos eletivos. E agora, nem uma única escola de arquitetura exige que seus alunos sejam totalmente treinados nos princípios do design sustentável. O relatório ofereceu recomendações para transformar a educação, que incluiu o currículo modelo “Educação em Design Ambiental Sustentável”, mas que eu saiba, nenhuma escola adotou estas orientações ou semelhantes.

Em janeiro, os chefes de 19 escritórios de arquitetura de renome, incluindo o meu próprio, assinaram uma carta ao Conselho Nacional de Acreditação Arquitetônica, a agência responsável pelo padrão americano de ensino da arquitetura, apelando para a mudança: “As escolas profissionais de projeto estão bem preparadas para fornecerem a liderança no ensino superior necessária para enfrentar o que nós julgamos ser o maior desafio deste século – a preservação de um planeta habitável”. Liderados por Ed Marzia do Architecture 2030, os arquitetos urgiram ao NAAB para que exigisse que cada estudante de arquitetura “tivesse capacidade projetual para enfrentar os desafios ambientais encarados por diversas comunidades em todo o globo.”

Na cultura projetual, a inovação, muitas vezes significa pouco mais do que novidade estética. Procure no Google a frase “arquitetura inovadora” e você encontrará diversas geometrias provocativas, mas poucas (ou nenhuma) soluções inovadoras para os problemas mais graves. O projeto pode ser um poderoso agente de mudança, mas as premiações de projeto e a atenção da mídia em geral contemplam o visual sobre a inovação.Eco-Sustainable House / Djuric Tardio Architectes. Image © Clément Guillaume

Eco-Sustainable House / Djuric Tardio Architectes. Image © Clément Guillaume

6 passos para transformar a profissão de arquitetura

O AIA está certo ao afirmar que os hábitos da profissão devem mudar, mas a mudança mais radical é necessária agora. Abaixo estão seis simples, mas dramáticos, passos para transformar a profissão e a prática da arquitetura. Se a sustentabilidade realmente tornou-se mainstream, como o AIA insiste, a mudança não deve ser difícil de se alcançar.

  1. Imediatamente, cada organização que premia arquitetos pode começar a recompensar somente estruturas que satisfaçam um padrão mínimo de performance sustentável.
  2. Dentro de seis meses, cada revista de projeto pode começar a destacar somente construções que satisfaçam um padrão mínimo de performance sustentável.
  3. Dentro de um ano, cada órgão público, incluindo governo federal, estadual ou municipal, pode exigir que cada projeto começando neste mesmo ano, cumpra as metas atuais para o Compromisso 2030.
  4. Dentro de dois anos, cada escritório americano de arquitetura pode adotar o Compromisso 2030 e cumprir as metas para todos os projetos iniciados neste mesmo ano.
  5. Dentro de três anos, cada agência de licenciamento pode exigir que cada arquiteto comprove um nível mínimo de competência a cerca de design sustentável para manter a licença para a prática profissional.
  6. Dentro de quatro anos, cada escola de arquitetura pode alterar seu currículo para assegurar que cada estudante de graduação esteja completamente instruído nos princípios e práticas do design sustentável.

Este artigo, que originalmente foi publicado na GreenBiz, é de autoria de Lance Hosey, o diretor de sustentabilidade do líder mundial de design RTKL. Seu último livro, “A Forma do Verde: Estética, Ecologia e Design” (Island Press, 2012), é o primeiro estudo das relações entre beleza e sustentabilidade.

Via Archdaily – archdaily.com.br

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