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Acordei com o alvoroço da notícia de que os argentinos tiraram tantas selfies com um golfinho, que simplesmente esqueceram que ele tem vida e não é um boneco da Ri Happy. Algumas pessoas dizem que a notícia é falsa, outras odeiam intensamente os fotógrafos e ainda há aquelas que ficam em choque sem saber como isso pode acontecer. O que foi o meu caso!

Bom, desliguei o computador e fui até o Mercado Público de Porto Alegre para ver a loja da Reforma Agrária. Praticamente só produtos orgânicos. Já era umas 17h e decidimos visitar a Ocupação Pandorga, que fica no bairro Azenha. Era uma rua um pouquinho mais estreita, com muitos pixos e grafites desbotados e um portão meio aberto. Entramos ~ é muito bom chegar sem avisar! ~ e encontramos crianças de todos os tamanhos durante uma aula de teatro. Um espaço para brincadeiras, conversas, movimentos e acesso à cultura entre os jovens que moram ali perto.

“Mas o que era aqui antes?”, perguntei. “Esse lugar estava abandonado há 10 anos pela prefeitura. Agora ele foi cedido para a ESPM por 30 anos, o que não poderia ter acontecido. A lei determina que o uso do espaço é prioritário para moradia popular e espaço de cultura da comunidade lindeira”, me respondeu Antu (que se dedica ao bem estar de todos ali).

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Logo em seguida chegou o professor Tropeço com vários bastões, alguns eram pedaços de cabos de vassouras cortados. Alunos de diferentes idades e realidades foram se aproximando.

Fiquei ali parada por alguns minutos. Assisti eles se alongarem com os bastões. A aula era de Maculele ~manifestação cultural baiana que tem a dança como base~. Entrei na roda. Os próximos 50 minutos foram de danças circulares aos sons de tambores, gritos e bastões batendo. O fluxo de energia que rodeava ali, era lindo. E cada um voltou para sua casa.

Um lugar com tantos potenciais para o encontro da comunidade estava totalmente abandonado. Com a estrutura toda detonada. Não era para menos, afinal eram 10 anos ali largado. Eis que surgem então, pessoas do bem que decidem se juntar de forma colaborativa e construtiva a fim de doar um pouco de si mesmo ao próximo, por alguns minutos do seu dia ou da sua semana. Além do Maculele, tem aulas de inglês, circo, malabares, capoeira, teatro, sessões de cinema e debates. A Ocupação Pandorga movimenta o que as pessoas tem de melhor para trocar umas com as outras. Que linda essa junção de forças.

E ~tcharam ~ essa aqui não é a visão de nenhum gringo. Sou brasileira, paulista e pesquiso gente linda que trabalha por iniciativas que transformam nossa realidade positivamente por todos os cantos desse país.

Existem muitos, muitos, mas muuuuitos exemplos de ações humanas que superam a falta de empatia das pessoas que não lembram que animais têm vida. Superam o ódio disseminado por esse episódio. E elas precisam ser faladas. Já estão sendo!

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