Vivagreen

Orgânicos

No Sertão, Cisterna melhora saúde das pessoas e ajuda na produção de mudas

04 de maio, 2016

Residente na comunidade Barreiros, município de Carnaíba/PE, Maria José da Silva, 26 anos, é uma jovem agricultora e faz parte da Comissão Territorial de Jovens Multiplicadores de Agroecologia (CTJMA), do Pajeú, e da coordenação do grupo de mulheres da sua comunidade.

Maria conta que desde a infância buscava água para o consumo doméstico, aguar as plantas e para dar aos animais: “antes de ir para a escola estudar, eu tinha que pegar água numa cacimba que ficava nas proximidades de casa, mas era uma água sem qualidade para o consumo das pessoas, era uma água ‘barrenta’ e os sapos faziam fezes e todos os dias era necessário limpar a cacimba para poder pegar a água e levar para casa”.

Aos 16 anos, a menina precisou ir trabalhar numa casa de família na cidade de Afogados da Ingazeira, mas só ficou no trabalho por três meses, pois percebeu que não era o que ela objetivava então retornou para a comunidade. Seu sonho é estudar Ciências Veterinárias. Em 2008 Maria José terminou o 2º Grau e continuou a trabalhar na agricultura junto com seus pais, Reginaldo e Dona Nelci.

“Na roça é diferente, ninguém manda nem humilha a gente”, diz Maria. Com a chegada da Cisterna da Primeira Água (construída pelo Projeto Renascer) há aproximadamente 12 anos, Maria conta que sua vida mudou “carregar água na cabeça é muito cansativo” e ainda mais subindo tantas ladeiras até chegar em casa, a cisterna melhorou e muito nossas vidas “tomar água ficou prazeroso, pois sabemos que é uma agua de qualidade, sem fezes de sapos e é uma água clara não mais “barrenta” como anos atrás.”, fala Maria empolgada.

Atualmente, a família de Maria conta com outras tecnologias de armazenamento de água, como a cisterna de 52.000 e o tanque de pedra, isto possibilita o cultivo de mudas (Projeto Um Milhão de árvores pelo Centro Sabiá) com espécies nativas e frutíferas, o plantio de hortaliças para o consumo da família e também para vender na comunidade e na cidade. Ela se orgulha pois na sementeira foram cultivadas aproximadamente 4.000 mudas regadas com água da cisterna calçadão e do tanque de pedras.

O plantio das mudas foi um dos fatores que trouxe mudanças na vida de Maria e sua família, “com o dinheiro das mudas que vendemos investimos na construção da casa de polpas, também consegui fazer tratamento dentário que era necessário para minha saúde”, conta ela. Maria e sua família dividem o tempo entre organizar o plantio agroecológico, colher frutos para o processamento de polpas e manter a sementeira sempre bonita.

Durante a conversa, pedimos para que Maria deixasse uma mensagem para as outras mulheres jovens. Afinal, o que significa a cisterna na vida das mulheres? “Quem tiver a cisterna em casa não desperdice a água, pois ela é parte da nossa vida e tendo água podemos fazer um milhão de coisas, quero dizer que a água da cisterna grande foi quem salvou o plantio da sementeira”, concluiu.

Texto e fotos: Sandra Rejane Pereira

Via Sabiá Centro de Desenvolvimento Agroecológico

Os comentários estão desativados.

Tweets

Vivagreen

Principais posts

Telha ecológica feita com papel e papelão
Construção do ultra-sustentável Estádio Mercedes Benz em Atlanta
Água em pó chega às prateleiras de todo o mundo
As 10 melhores e piores empresas em sustentabilidade corporativa, segundo os brasileiros
Benefícios da moringa oleífera: superalimento contra a desnutrição
A incrível história do Ipê Amarelo que não queria ser poste
Plástico reciclado vira tijolo
Moringa Oleifera, Um Milagre da natureza
Abrigo nos EUA ensina moradores de rua sobre agricultura urbana sustentável
Conheça 11 brechós online para comprar, vender e economizar sem sair de casa