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Sustentabilidade rende lucro para empresas em tempos de crise

18 de junho, 2015

Empresas reduzem custos com energia, água e matéria-prima e ampliam faturamento com investimentos em sustentabilidade, mostrando que valorizar os recursos naturais é uma boa aposta para todos.

Há quase 20 anos, o geólogo Hari Hartmann, 54 anos, deixou a mineração para tocar uma indústria de confecções, junto com a esposa. Dez anos depois quase faliu, com a invasão de produtos chineses no mercado nacional a preços imbatíveis. Do fundo do poço, onde diz ter chegado na época, entendeu que um modelo de produção sustentável era o caminho para manter vivo o sonho de empreender.

Após uma década de investimentos para se reestabelecer no mercado, Hari conseguiu colocar a pequena empresa Camisas Polo Indústria, Comércio e Serviços em um seleto grupo de empresas baianas dos mais diversos portes que enxergam o investimento em práticas ambientalmente responsáveis como um caminho para alcançar uma imagem positiva no mercado, reduzir custos operacionais e, cada vez mais, engordar o faturamento.

Hari percebeu o mesmo que empresas como a Ambev, Dow, Braskem, Ford e shoppings, como o Salvador e Salvador Norte: é possível fazer dinheiro com aquilo que está indo para o lixo. Hoje, quando se comemora o dia do Meio Ambiente, o CORREIO traz exemplos de empresas baianas que ganham, e muito, sendo sustentáveis.

“Eu sempre quis ser reconhecido como um empresário verde, mas não faria todas as mudanças que fiz por vaidade. Todos os investimentos que eu fiz já se pagaram ou estão sendo pagos”, conta Hari. De 2013 para cá, ele reduziu o consumo de energia elétrica com troca de lâmpadas, máquinas de costura e até do sistema de ventilação. Os dez ventiladores turbos deram lugar a um equipamento com hélices de 2,5 metros. O prédio consome 73% menos energia que uma instalação convencional, estima. E ainda vem mais por aí: a empresa pretende colocar em funcionamento um sistema para captar energia solar.

O esforço para a redução de custos é complementado com a redução do consumo de água em 80%, graças a um sistema para o uso de água da chuva nos banheiros. Além disso, a empresa lançou uma linha de camisas composta por 50% de poliéster feito à base de garrafas PET recicladas, que já despertou o interesse de clientes do porte do Grupo Boticário e a BMW, diz.

Como resultado, o gaúcho, que escolheu ser baiano, escuta outros empresários do setor têxtil se queixarem das turbulências provocadas pela crise, enquanto ele vê adiante céu de brigadeiro para o próprio negócio, que emprega 50 pessoas diretamente e produz em torno de mil peças por dia. Segundo ele, a visão de uma operação sustentável é passada para os empregados da empresa. “Nós estabelecemos entre os critérios de produtividade a limpeza da área de trabalho. Se os trabalhadores não jogam papel no chão e mantêm o ambiente limpo, a empresa gasta menos e uma parte volta para eles”, conta.

O empresário Hari Hartmann substituiu dez ventiladores turbos que eram utilizados na fábrica por um único equipamento, com hélice de 2,5 metros, que proporciona menor custo (Foto: Arisson Marinho/reprodução)

O que é sustentável?


Para o diretor de operações da planta da Dow em Aratu, Rodrigo Silveira, o conceito de sustentabilidade está relacionado ao retorno que uma determinada ação proporciona. “Se uma empresa faz um investimento em uma área e não tem nenhum tipo de retorno, seja ambiental, social ou financeiro, não se pode falar em sustentabilidade, é só uma fonte de custos”, diz. Neste caso, acredita, a tendência de qualquer empresa é de descontinuar a atividade.

Silveira diz que a Dow está apresentando um conjunto de metas na área de sustentabilidade para os próximos anos, quando a empresa pretende trabalhar para exercer uma posição de liderança nos processos. A companhia revisa os conceitos a cada dez anos. As metas que se encerram agora em 2015 preveem a busca de soluções sustentáveis para o mercado.

Foram essas metas que levaram a Dow a investir em projetos de cogeração de energia a partir de biomassa de eucalipto e em destinar os resíduos da unidade em Aratu à fabricação de cimento. Com o uso da biomassa, a Dow reduziu em 25% os custos com energia. Para isso investiu R$ 200 milhões, por meio de uma parceria com a empresa Energias Renováveis do Brasil (ERB).  “Esse projeto é muito importante porque dá uma alternativa de energia verde que está desatrelada do mercado de petróleo”, avalia Silveira.

Em parceria com a Lafarge, maior fabricante de materiais de construção do mundo, que tem uma fábrica vizinha à Dow, em Aratu, a empresa deixou de enviar para um aterro 7,4 mil toneladas de resíduos no ano passado e 6,5 mil até abril deste ano. A empresa desenvolveu um processo que transforma o que era lixo em um material rico em óxido de cálcio, magnésio e materiais carbonáticos que servem para fabricar cimento.

“Este produto ia para um aterro apropriado para a destinação do mesmo, mas agora estamos dando um destino que é muito mais interessante”, avalia o diretor da empresa. Segundo a Dow, o potencial de utilização dos resíduos ainda é bem maior que o atual. O projeto tem uma demanda mensal de 24 mil toneladas, o que inclui ainda a fabricação de matéria-prima para asfalto. Se atingir a marca, o projeto vai absorver 40% de todos os resíduos produzidos na unidade em Aratu.

Água
Em meio à crise hídrica instalada no Brasil, empresas como a Braskem, a Ford e centros comerciais, como o Salvador Shopping e Salvador Norte, investem na economia de água.  Através do projeto Água Viva, implantado no Polo de Camaçari, a Braskem contabiliza o reaproveitamento de três bilhões de litros de água nos últimos dois anos. A quantidade seria o suficiente para abastecer uma cidade de 80 mil habitantes, como Senhor do Bonfim.

Também em Camaçari, a Ford comemora o Dia do Meio Ambiente com uma média de consumo de água por pessoa na fábrica de 70 litros por dia, enquanto a média mundial é de 150 litros. Isso sem contar que o consumo de água na produção, de 2,53 metros cúbicos gastos por unidade, é um dos menores do mundo.

Nos shoppings, a economia de água passa pelo reaproveitamento da chuva, que responde entre 12% e 15% do consumo total dos estabelecimentos, e por esgotos a vácuo, que usam 90% menos água.

Cinco passos sustentáveis
1 Revisão A manutenção de máquinas e a revisão da rede elétrica precisam ser periódicas, pois, além de causar desperdício, pode haver riscos de acidentes.
2 Contas Se a empresa não puder bancar uma alternativa ecológica e ter retorno, financeiro ou de imagem, a mudança não será sustentável.
3 Parcerias  É possível se aliar a pequenas cooperativas, que podem fazer a busca dos materiais recicláveis em dias e horários preestabelecidos.
4 Equipe  Para que as ações tenham credibilidade é importante envolver a equipe de colaboradores da empresa através da conscientização e incentivos.
5 Controle  Mesmo pequenas empresas podem reduzir custo operacional por meio do controle no uso de materiais como copos plásticos e papel.

Cervejaria consegue reaproveitar 99,4% dos insumos de produção
Apenas 0,6% dos insumos utilizados pela fábrica da Ambev, em Camaçari, foram para o lixo. São produtos como lixo orgânico e lâmpadas queimadas, que dificilmente poderiam ser reutilizados. Os outros 99,4% foram reaproveitados e renderam à unidade regional um faturamento de R$ 3,5 milhões em 2014. Nacionalmente, a cervejaria conseguiu um incremento de receitas de R$ 115 milhões através das medidas.

Nos últimos quatro anos, o volume de receitas com o reaproveitamento cresceu 43,5%. “Nós temos um trabalho voltado para a sustentabilidade há mais de 20 anos. A empresa tem conseguido diminuir o impacto de sua operação no meio ambiente e, ao mesmo tempo, gerar ganhos adicionais”, destaca o gerente da empresa na Bahia, Fábio Godoy.

Segundo ele, o resultado é fruto de investimentos contínuos da empresa, que permitiram, por exemplo, a descoberta de que o bagaço do malte e o fermento que sobra do processo de fabricação de cervejas podem ser utilizados pela pecuária, como uma fonte de nutrientes adicionais para a produção de leite.

“Existe uma demanda muito grande pela utilização do produto porque se descobriu que o bagaço do malte permite um aumento de mais de 30% na produção de leite. Nós somos procurados por produtores interessados no produto”, conta Godoy.

Ele diz que a empresa adotou uma “rotina de sustentabilidade”, em que existe uma avaliação contínua de processos para se verificar quais podem ser modificados. “Este é um processo muito saudável para a empresa. Eu cito, como exemplo, o caso das caixas de papelão. A gente teria que ter um custo para dar um destino, ou mesmo pagar para destruir. Investimos em equipamentos para reciclar estes materiais”, diz.

Sustentabilidade dá destaque a empresas em tempos de crise
Os investimentos em sustentabilidade podem representar uma vantagem para as empresas em tempos de crise, acredita a  gerente de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Arlinda Coelho. “As empresas que já fizeram estes investimentos vão colher os resultados porque fizeram as aplicações em melhoria da imagem institucional e, sobretudo, porque esses investimentos ajudam a reduzir custos e a elevar receitas”, acredita.

Para ela, a visão de que os investimentos na área representam custos adicionais para as empresas vem perdendo lugar para a percepção de que aplicar na área é um dos caminhos para a competitividade. “O resíduo que é jogado fora é perda de matéria-prima. Quem consegue reaproveitar tem vantagens. Um sistema de energia ou hidráulico ineficiente representa um custo adicional que a empresa pode enxugar”, exemplifica.

Para ela, um dos grandes desafios para o avanço da indústria brasileira em direção a modelos mais sustentáveis está na concepção em relação à produção. “Para ser justa, tenho que deixar claro que este não é um problema brasileiro, é mundial. Existe uma concepção de que a atividade industrial deve ser focada apenas em produzir, com pouca preocupação com o impacto externo. Isso está ultrapassado”, afirma.

Arlinda Coelho acredita que as empresas mais bem- sucedidas serão aquelas que se voltarem para todas as implicações relacionadas ao processo de produção. “A sociedade cobra uma atuação mais responsável. O setor produtivo precisa enxergar o processo fabril, atento a todas as implicações do que estamos fazendo”.

Para Arlinda, a ideia de que a sustentabilidade é algo acessível apenas para as grandes empresas vem perdendo espaço. “Em diferentes épocas, a indústria teve que lidar com diferentes desafios. A atuação responsável, atenta aos mais diferentes impactos, não apenas ambientais, mais sociais também, é o do nosso tempo. Isso vem sendo compreendido pelas empresas de todos os portes, inclusive pelas microempresas”, diz.

Ela acredita que as empresas precisam acrescentar no planejamento o foco em uma atuação responsável.

Fonte: Correio 24 Horas

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