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Kelly Slater: na onda da sustentabilidade

16 de agosto, 2015

– O que estamos vestindo e da onde isso vem?

A pergunta surgiu mais ou menos três anos atrás, quando as primeiras reuniões para criarem uma marca de roupas novas -e com sentido- acontecia. Quem perguntava era Kelly Slater, o surfista que mais ganhou títulos na história do esporte (até hoje são 11 campeonatos mundiais nas costas) e que conhece cada boa onda do mundo como poucos. Junto dele, uma enxuta equipe que vinha pensando em como criar e consolidar nesse mercado tão competitivo roupas que se adequassem às mais variadas situações (“Os surfistas tendem a viajar muito e por isso, queremos criar roupas que se adaptem a diferentes cenários”, lembra John Moore, designer parceiro de Slater) de uma forma sustentável.

“Eu criei a Outerknown para esmagar a fórmula“, Slater disse, “Para levantar a tampa sobre a cadeia de abastecimento tradicional do menswear e provar que você pode produzir moda masculina olhando para todo o processo de forma sustentável”. Não que isso seja muito fácil: “Nos últimos anos, entendi com clareza quão desafiador é para qualquer marca colocar a sustentabilidade na vanguarda de seus negócios e eu estou muito orgulhoso de que hoje somos um dos poucos a assumir essa liderança”, ele reflete. É que, para Kelly, que vive no oceano e viaja pelo mundo chegando nos maiores paraísos da Terra, é natural o entendimento de que, sim, há de se preservar essas maravilhas, já tão expostas e danificadas pela ação do ser humano.

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De reunião em reunião e de viagem em viagem atrás de soluções sustentáveis para as roupas, uma espécie de mantra surgiu, veio a se repetir ao longo dos três anos de criação da marca e hoje virou hashtag oficial da marca. “This Is a Clean Slate“, ou algo como “Pode começar de novo, do zero“. A ideia é que, apesar de todo esse caminho não sustentável que a indústria de roupas vem traçando, é possível deixar os erros pra trás e fazer uma coisa limpa, do começo ao fim. “Foi sempre uma sensação tão boa, não havia fronteiras, a gente só faria o que fosse correto“, conta John Moore.

O primeiro passo foi perceber que, de acordo com a ONU, há mais de 640 mil toneladas de redes de pesca abandonadas pelos oceanos que acabam, além de poluindo, matando diversas espécies da vida marinha, de baleias até tartarugas e pássaros. Foi daí que eles fecharam parceria com a Aquafil, um grupo italiano que oferece incentivos aos pescadores que, em vez de deixarem suas redes de pesca soltas no mar, descartem elas em lugares adequados. Depois disso, em um processo bonito de regeneração, as redes são todas desfeitas e, combinadas com outros materiais reaproveitados vira o Econyl -uma espécie de Nylon completamente reciclado. “É ate mais do que reciclado, é regenerado: o nylon é um material que pode ser quebrado e reutilizado inúmeras vezes sem a perda de qualidade”, explica Giulio Bonazzi, CEO da Aquafit, “Isso vai além do típico uso de materiais reciclados e coloca a Outerknown no topo do mercado fashion sustentável“. Além dessa super inovação, a marca usa apenas algodão orgânico, cânhamo e lã italiana regenerada para produzir suas peças.

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Desde o primeiro dia de existência da marca, eles já viraram membros da FLA, Fair Labour Association, garantindo que seguem e vão continuar seguindo o código de conduta estabelecido pela associação, que é padrão para proteger e promover boas condições de trabalho para os contratados da marca. “Estamos preparados para sair da nossa zona de conforto para verdadeiramente aferirmos mudança no mundo”, diz John Moore, “Nós decidimos que vamos pagar salários dignos e justos para todos os nossos fornecedores e isso é um investimento que fazemos e que beneficia a todos”.

A Outerknown vem para colocar em prática várias coisas e vontades que Kelly vem acumulando ao longo dos anos. Mas suas preocupações com o meio ambiente e com a sustentabilidade não vem de hoje: em 2007 ele criou a Kelly Slater Foundation, fundação que fica em Los Angeles e tem como missão elevar a consciência e arrecadar fundos para organizações não governamentais que tenham como foco questões sociais e ambientais. Eles apoiam, por exemplo, o movimento Surfriders Save Trestles e a Surfers Healing, que faz com que jovens autistas tenham a oportunidade de surfar e sentir essa relação direta com a natureza que o esporte naturalmente gera. Além disso, eles são parceiros da SurfAid Intenacional e da Surfrider Foundation, e estão sempre presentes na limpeza de praias e no apoio em estudos sobre lixo marinho.

SYDNEY, AUSTRALIA - MARCH 12:  Kelly Slater of the United States rides a wave into shore during an aerial expression session on day one of Surfsho at Bondi Beach on March 12, 2010 in Sydney, Australia.  (Photo by Cameron Spencer/Getty Images) *** Local Caption *** Kelly Slater

O Sea Shepherd é outro parceiro. Eles são conhecidos por serem uma das maiores ONGs de proteção dos mares com atuação bastante ativista pelo mundo todo -Paul Watson, seu fundador, foi considerado um dos heróis ambientais do século XX pela revista Time. Pois bem, no ano passado, o braço brasileiro da ONG, o Instituto Sea Shepherd Brasil (ISSB) recebeu a doação de uma prancha de Kelly que foi vendida por R$22 mil e ajudou na compra da primeira sede da organização, que até então vinha se mantendo em salas alugadas e improvisadas.

Sorte a nossa que o maior campeão do surfe use de toda a fama que conquistou para espalhar o que é importante ser dito e sabido por todos. Porque, no final, é aquilo: não se pode deixar levar pelos padrões mais fáceis e disponíveis: é sempre possível começar do zero (This Is a Clear Slate).

Fonte: http://menos1lixo.virgula.uol.com.br

Via Ecosurf – http://ecosurf.org.br/

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