Vivagreen

Notícias

Cidades brasileiras são exemplo em saneamento básico

01 de fevereiro, 2016

Cobertura de rede de esgoto em cidades como Santos e a região dos Lagos passou de zero para mais de 70% em 20 anos

Rios poluídos pelo crescimento descontrolado das cidades, praias impróprias para banho pela falta de cobertura adequada de saneamento, ausência de controle nas ligações de esgoto e outros problemas atuais dos catarinenses já foram e estão sendo tratados também por outras regiões do país. Algumas, porém, conseguiram resultados que podem ser considerados avanços. Na região dos Lagos, no Rio de Janeiro, por exemplo, a cobertura de tratamento de esgoto passou de nula para 77% em quase duas décadas. Especialistas apontam a simples inexistência de qualquer tipo de problemas na área de saneamento em países europeus para lembrar que muitas cidades brasileiras negligenciaram esse desafio durante o crescimento imobiliário nas décadas de 1980 e 1990.

Dos 645 municípios de São Paulo, a Sabesp é responsável pelo tratamento de água e esgoto em 365. No Estado mais rico do país, o desafio é muitas vezes reformar redes antigas que misturam esgoto com água pluvial. Para o superintendente de Planejamento Integrado da empresa, Dante Ragazzi Pauli, a tarefa se torna ainda maior devido à necessidade de colaboração das administrações municipais:

— Há um investimento permanente de infraestrutura de pelo menos 20% do que arrecadamos com tarifas de esgoto. Além disso, fazemos um acompanhamento até de ligações irregulares, mas é um trabalho que depende de ação conjunta com as prefeituras. O operador do sistema de tratamento não pode fazer tudo sozinho.

O litoral de São Paulo chega a ter 70% de cobertura de tratamento de esgoto, e conta com nove emissários submarinos – tubulação que leva efluentes de três a quatro quilômetros em alto-mar. Uma obra desse tipo pode custar até R$ 150 milhões, dependendo da complexidade de instalação, e é considerada eficiente.

Apenas 20% de SC têm cobertura de esgoto

Como comparação, Santa Catarina teve menos de 20% de cobertura de esgoto segundo o último relatório do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2013.

O presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, explica que houve negligência em investimento de saneamento no Brasil em anos anteriores, e Estados considerados ricos, como SC, apresentam deficiências em seus sistemas, afetando diretamente o meio ambiente:

— O Brasil investiu pouco em saneamento no passado, então está pagando a conta ambiental agora. As cidades cresceram e os sistemas de água e esgoto não. No litoral o problema é maior, pois existe uma população flutuante no verão que sobrecarrega a estrutura.

Excesso de chuva causa problema em litoral santista

Com cobertura 100% na rede de tratamento de esgoto, Santos pode ser considerada uma raridade no quadro de saneamento básico do Brasil. Mesmo assim, a balneabilidade das praias do município paulista não é tão boa quanto deveria. As ligações irregulares de esgoto também são inexpressivas. Foram apenas nove casos registrados no ano passado. Segundo a secretária de Meio Ambiente de Santos, Débora Blanco, o problema da balneabilidade passa pelo excesso de chuvas.

— O índice pluviométrico interfere na balneabilidade. Quando chove, tudo que está na rua é arrastado para os canais que desaguam no mar. Uma das nossas iniciativas é incentivar a população a limpar necessidades de animais domésticos, por exemplo – afirma Débora.

Recuperação do meio ambiente leva décadas

Outro exemplo de saneamento básico, a região dos Lagos, no Rio de Janeiro, passou de zero para 77% de cobertura de saneamento. A Lagoa de Araruama, considerada morta por ambientalistas, está em processo de recuperação. Carlos Roma, presidente da Prolagos, concessionária do serviço de tratamento de esgoto no local, cita o alto investimento para explicar o avanço do saneamento básico na região.

— A Lagoa de Araruama envolve cinco municípios do Rio de Janeiro e investimos mais de R$ 600 milhões nos últimos 17 anos apenas em infraestrutura de saneamento. Fizemos um acordo para coletar a tempo seco, que é a interceptação do esgoto nas galerias da rede pluvial. Nesses casos, só há extravasamento em período de chuvas, mas o índice pluviométrico da região é baixo. Além desse processo, houve dragagem do leito manancial. Com o tempo, houve a troca natural da água suja pela tratada — afirma Roma.

Entrevista: Édison Carlos, presidente do Trata Brasil

A falta de investimento público no final do século passado é uma das explicações de Édison Carlos para a situação de calamidade sanitária que muitos municípios, alguns
do litoral catarinense, apresentam no Brasil. Além disso,  o especialista alerta que a única solução é investir muito e por vários anos.

Qual o atual cenário do saneamento básico no Brasil?
O Brasil teve uma parada nos anos 80 e 90 em investimentos para tratamento de esgoto. Foram décadas perdidas para o saneamento no país, onde as cidades cresceram muito com migração de pessoas do interior, mas não houve investimento na área sanitária. Até a infraestrutura de água existe, mas esgoto é a última coisa que se olha. E no litoral, há dois desafios: o crescimento da própria cidade e do turismo. Essa descoberta veio com o tempo, quando as praias mais centrais do litoral começaram a ficar poluídas. Santa Catarina é um ícone desse processo de abandono. Nos dados de 2013 do SNIS, os últimos do governo federal, o Estado teve 16% de cobertura de tratamento de esgoto.

Em Florianópolis, há muitos condomínios e residências com ligações irregulares de esgoto, que acaba sendo despejado in natura em mananciais. O avanço imobiliário sem planejamento interfere de que forma nesse processo?
A expansão imobiliária é muito mais rápida que a de água e esgoto. Muitos condomínios foram feitos com fossa, ou com despejo de esgoto em rios. O plano nacional de saneamento é bem claro em proibir uso de fossa em área urbana, porque são muitas construções, então o risco de uma fossa contaminar a outra é grande. O controle dessas ligações irregulares é um dos grandes problemas enfrentados por todas as concessionárias de serviço de saneamento. No caso das cidades praianas, há um salto gigantesco de população flutuante. É um problema adicional.

Qual o passivo ambiental de uma cidade com tratamento inadequado de esgoto?
O que determina a forma de tratamento é a classificação do rio. O esgoto tratado despejado sempre tem que ser melhor do que a qualidade da água do rio. Então, esse efluente tem que melhorar o rio. Se o líquido é pior, isso está errado. Santa Catarina tem a imagem de um Estado avançado, mas investe muito pouco em saneamento. Se o investimento não aumentar e essa degradação continuar crescendo, ela ficará cada vez mais visível. Vai chegar um momento que essa boa imagem será perdida.

ZH

Os comentários estão desativados.

Tweets

Vivagreen

Principais posts

Arte Sustentável: Obras incríveis feitas com materiais reutilizados
Água em pó chega às prateleiras de todo o mundo
Como construir uma casa sustentável fantástica com 18 mil reais
A numeração separa o material plástico em sete diferentes tipos. Você sabia?
Aquecimento solar de água: como funciona?
Os maravilhosos murais que consomem poluição atmosférica e purificam o ar
Tecido feito de fibras de abacaxi pode substituir o couro
As 15 campanhas publicitárias mais criativas e impactantes a favor do meio ambiente
Mimetismo: o que é, para que serve, tipos e exemplos
Moringa Oleifera, Um Milagre da natureza