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Celulares contra o desmatamento

25 de abril, 2018

Sistema com smartphones velhos ajuda a monitorar atividade ilegal em terra indígena 

Na Terra Indígena Alto do Rio Guamá no estado do Pará, o povo Tembé tem o desafio de proteger seu território contra invasões de madeireiros ilegais. Mas como fiscalizar os 280 mil hectares? Com um território muito maior do que conseguiam cobrir, o Naldo Tembé entrou em contato com a ONG Rainforest Connection para encontrar uma solução tecnológica de monitoramento. Juntos planejaram ter ouvidos em meio às árvores.

Topher White, fundador da ONG, propôs dar um novo propósito a velhos smartphones. Com a grande produção de celulares, velhos aparelhos são bastante acessíveis e continuam sendo pequenos computadores muito potentes que podem acessar a internet e gravar áudio.

Com uma caixa protetora, um microfone e painéis solares como fonte de energia, esses verdadeiros “guardiões” monitoram o áudio da floresta 24 horas por dia. Afixados no topo de árvores, conseguem acessar a rede telefônica e enviam os áudios para servidores na nuvem.

Os áudios, então, são analisados utilizando o TensorFlow, uma plataforma de código aberto, criada pelo Google, para , ou seja, dá ao computador a capacidade de aprender tarefas complexas. A inteligência artificial consegue identificar, em meio aos sons da floresta, ruídos de motosserras, caminhões e outros barulhos de atividades ilegais. O sistema, então, envia um alerta facilitando a denúncia.

Além de simplificar o monitoramento, o sistema também proporciona mais segurança aos Tembé que podem evitar o confronto direto com madeireiros. “As pessoas no solo são a solução. São elas que podem lutar contra o desmatamento. Mas a tecnologia pode desempenhar um papel importante ajudando a monitorar de forma mais segura e eficiente”, afirma White.

“O sistema vai acusar onde está ocorrendo um problema, não é preciso ficar fiscalizando meses e meses como a gente fazia antes. Quer dizer, nós temos mais tempo para nossa cultura, mais tempo para a nossa família, mais tempo para sobreviver”, sintetiza o chefe Naldo Tembé.

Via Página 22 por Oscar Freitas Neto

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