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Energia

Estudantes criam carregador de celular alimentado com energia do movimento das pernas

14 de julho, 2015

Quando era criança, o estudante Rodrigo Sampaio, morador de Quintino, não podia ver nenhum equipamento eletrônico ou eletrodoméstico sem que tivesse vontade de desmontá-lo. Primeiro, foi uma calculadora. Depois, vieram ferro de passar, liquidificador, batedeira, sanduicheira. Tudo virava um quebra-cabeça. A mãe tentou, em vão, impedir. Mas, quando percebeu que o filho era capaz de juntar pedaços de um rádio com defeito e transformá-lo num aparelho com “vida”, resolveu apoiar o garoto. Com 14 anos, Rodrigo construiu o primeiro minirrobô. A engenhoca era capaz de varrer a mesa do almoço e juntar farelos e restos de comida.

Lembro que olhava para qualquer aparelho eletrônico e queria saber como funcionava. Era mais forte do que eu. conta o jovem, hoje com 20 anos, e que concluiu o ensino médio na Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

O último projeto saiu do forno há algumas semanas. Em junho do ano passado, Rodrigo e o primo Carlos Eduardo Dias, o Cadu, de 16 anos, criaram um gerador de energia que consegue recarregar um celular. A diferença desse para outros carregadores portáteis é que o Ônix — nome que escolheram para batizar a invenção — não precisa ser ligado à rede elétrica. O aparelhinho mede cerca de sete por 6,5 centímetros, e não pesa nem 500 gramas.

E como ele acumula energia? A resposta está no movimento corporal. O Ônix fica dentro de uma bolsa, presa por fitas na altura da coxa. Uma haste de alumínio, de 15 centímetros de comprimento, conectada ao aparelho, desce pela lateral da perna até a parte de cima da canela. A haste é movimentada com uma simples caminhada, e esse balanço, provocado pelos passos e repetido várias vezes, permite que a energia cinética seja transformada em elétrica no gerador. Uma caminhada de três horas é suficiente para que o dispositivo fique 100% carregado. O Ônix consegue recarregar um iPhone até três vezes sem precisar ser alimentado novamente com energia.

Na semana passada, se não fosse o Ônix, eu não poderia utilizar meu celular. Cheguei em casa com a bateria descarregada e utilizei o aparelho, que ajudei a criar, em causa própria. brinca Cadu, que está cursando o segundo ano do ensino médio.

Os dois correm para patentear a invenção. Com a ajuda de um advogado, eles já entraram com o pedido de registro e aguardam para saber se foram os primeiros a criar o sistema. O próximo passo é atrair investidores para aperfeiçoar a ideia. Segundo eles, é possível diminuir o tamanho do gerador. Outro avanço seria desenvolver um dispositivo com alças, descartando a bolsa que é presa à coxa.

Não é dinheiro o que queremos agora. Precisamos de uma empresa que se interesse pelo nosso protótipo e que disponibilize engenheiros para refinarmos o aparelho. Temos muitas ideias. O que nos falta é material para executá-las. diz Rodrigo.

Via Grupo SAS – gruposas.com.br

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