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A China não é mais a lixeira do mundo

02 de junho, 2018

Desde muito tempo a China é conhecida por ser uma grande importadora de lixo de grandes nações. Desde 1980 o país importa resíduos estrangeiros. Mais da metade dos resíduos plásticos, eletroeletrônicos, têxteis e de papel gerados no globo terminam em solo chinês. Todavia esta realidade, pelo que parece, mudou.

A partir de 1 de janeiro de 2018 o país proibiu a importação de 24 tipos de resíduos, determinando que as empresas atendam tais determinações em seis meses, ou seja, no máximo em junho todas devem adotar novas maneiras de lidar com o lixo.

Não significa que a China deixou de importar resíduos: o país continua disposto a aceitar “sucata estrangeira”, desde que ela atenda a padrões mais elevados de qualidade, garantidos por uma segregação e acondicionamento adequados no local de origem que evitem contaminação do material, o que a maioria dos países atualmente não pode cumprir.

A China tem sido responsável pela importação e processamento de grande parte de resíduos plásticos do mundo, vindos, principalmente, de países como EUA, Japão e integrantes da União Europeia. Cidades inteiras se tornaram reféns da indústria da reciclagem, todavia com pessoas vivendo e trabalhando em condições abaixo do humanamente aceitável para trabalhadores, em ambientes insalubres, sob utilização de mão de obra infantil, etc.

Desta forma, com tal regulamentação, uma nova realidade se enraizará.

Na China, o Governo terá de lidar com novas políticas de tratamento do plástico e demais resíduos internos, bem como buscar fornecer novas oportunidades de renda para pessoas que basicamente vivem da coleta e processamento de tais resíduos, uma vez que a importação estará seriamente prejudicada.

Nos países que exportam tais resíduos os Governos e empresas deverão obrigatoriamente buscar novos meios de reaproveitamento e destinação de seus resíduos, principalmente os plásticos, como, por exemplo, com desenvolvimento de indústrias domésticas de reciclagem.. Também é possível estimular mudanças no comportamento do consumidor e implementar estratégias para reduzir o uso de plástico descartável, mudanças que já estão ganhando impulso pelo mundo.

Outro impacto da decisão poderá ser o aumento da demanda chinesa por plástico novo, não mais pelo produto em ponto de reciclagem, fazendo com que a demanda pela matéria-prima do mesmo se eleve. Também há que se falar na necessidade de países desenvolvidos, como os EUA, em desenvolver novas centrais de reciclagem dentro de seus territórios, há também que se alertar sobre a possibilidade do aumento do descarte clandestino, em aterros ou até mesmo através do lançamento ao mar.
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Via Instituto Brasileiro de Sustentabilidade – INBS

 

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