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Praia Grande aumenta seus índices de reciclagem

12 de outubro, 2015

Iniciada em 2008, a coleta seletiva da cidade litorânea de Praia Grande, em São Paulo, obteve uma elevação de 15,4% no volume recolhido, na comparação do primeiro trimestre deste ano com o mesmo período de 2014. Esse impulso foi dado após o convênio firmado entre o município e o Programa Dê a Mão para o Futuro, patrocinado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (ABIPLA) e a Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias e Pão & Bolo Industrializados (ABIMA).

Com cobertura de 100% dos bairros uma vez por semana, o sistema é administrado pela Secretaria de Serviços Urbanos e conta com seis caminhões, motoristas e coletores pagos pela Prefeitura. A triagem e venda dos resíduos é feita pela Cooperavida, cooperativa formada por catadores que atuavam no lixão desativado do município. Operando hoje com 30 cooperados ativos, a Coopervida tem concessão até 2033 para uso de um galpão de triagem de 400 m².

Além da coleta domiciliar, a Secretaria de Serviços Urbanos elaborou um cronograma de coleta solidária, que abrange os órgãos públicos municipais, estaduais e federais, e disponibiliza cinco Ecopontos para recebimento de recicláveis e podas de árvores. Enquanto isso, o lixo residencial é encaminhado a um aterro sanitário certificado, o Terrestre Ambiental, que também recebe resíduos das cidades de Santos, Cubatão, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Praia Grande, Eduardo Xavier, o programa de coleta seletiva responde à crescente urbanização da cidade e à preocupação com a gestão dos resíduos sólidos para que não comprometam o meio ambiente, sobretudo o solo e os recursos hídricos, além de elevar a qualidade de vida da população. “A principal função da coleta seletiva é diminuir a quantidade de resíduos enviados aos aterros e que poderiam ser reciclados, reduzindo assim impactos ambientais negativos. Com a coleta seletiva, os custos ambientais e econômicos podem ser bastante minimizados e os benefícios sociais são alavancados”, resume Eduardo Xavier.

Na parceria com o Programa Dê a Mão para o Futuro, Praia Grande encontrou um grande diferencial para incrementar sua coleta seletiva que, mesmo com o aumento conseguido, ainda é inferior a 1% do lixo domiciliar. “Fomos escolhidos em função de nossa ótima pontuação no Programa Município Verde Azul, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. O Programa Dê a Mão Para o Futuro, por meio da ong Circus, está trabalhando para que a Coopervida seja reconhecida e atue de forma autônoma”, conta o secretário de Meio Ambiente. “O convênio tem duração de dois anos e começou com a realização de um diagnóstico das necessidades para impulsionar a atuação da cooperativa, avaliando desde a estrutura física e compra de equipamentos até sua organização administrativa. A partir desse diagnóstico, uma representante da Circus visita a cooperativa semanalmente para acompanhar a evolução dos trabalhos e oferecer capacitações aos cooperados. Novos equipamentos serão doados pelas indústrias associadas à ABIHPEC e a Prefeitura tem como responsabilidade fazer com que todos os resíduos recicláveis sejam encaminhados à Coopervida, além de disponibilizar espaço adequado para sua instalação.”

Na concretização dessa responsabilidade compartilhada, um dos desafios tem sido a conscientização da população. “A adesão é lenta e demanda esforços em diversas pontas para alavancar a separação dos resíduos. Temos apoio da Coordenadoria de Educação Ambiental, da Secretaria de Educação, para trabalhar o tema nas escolas e realizamos palestras, distribuição de folhetos explicativos e divulgação constante na página da Prefeitura na internet e em sites de relacionamento, para estimular a mudança de hábitos”, enumera Eduardo Xavier. Além disso, o Programa Dê a Mão para o Futuro disponibiliza uma van com caixa de som, folhetos e ímãs de geladeira para divulgação do cronograma de retirada dos materiais e os caminhões de coleta seletiva possuem uma caixa de som para anunciar sua chegada.

Praia Grande também é destaque na gestão dos resíduos da construção civil. Diariamente, a indústria local gera em torno de 560 toneladas desse tipo de resíduo, cuja maior quantidade é coletada e transportada por 20 empresas de caçambas cadastradas no município que possui um sistema de gerenciamento e monitoramento eletrônico dos resíduos da construção civil. Todo gerador deve exigir seu cadastro e todo transportador tem a obrigação de cadastrar o pedido de seu cliente no sistema.

Outro diferencial do município está na coleta e destinação adequada de pneus inservíveis. A cada 2 mil pneus recolhidos e armazenados (aproximadamente 11 toneladas), a Secretaria de Meio Ambiente entra em contato com a Reciclanip que providencia o transporte até as empresas especializadas em seu reaproveitamento. Todos esses temas fazem parte do eixo Cidade Viva do Programa Avança PG. Nele, há 14 itens relativos a questões ambientais como coleta seletiva de óleo, coleta seletiva de grandes volumes, sistema de logística reversa e reuso da água. “Na ponta da coleta seletiva domiciliar, nossa intenção é que, em 2016, a cooperativa se torne autônoma, sendo capaz de fazer sua autogestão”, planeja Eduardo Xavier.

Cempre

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