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MMA auxilia profissionais da construção civil

Por novembro 7, 2015 Sem comentários
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O Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem uma ferramenta eletrônica para orientar a construção de prédios sustentáveis, principalmente residenciais, com informações bioclimáticas de aproximadamente 400 cidades brasileiras. Chama-se Projeteee –Projetando Edifícios Energicamente Eficientes, que tem 20 mil consultas por mês, pela internet.

 O Projeteee é um dos componentes do Projeto 3E – Eficiência Energética em Edificações – da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental (SMCQ), do MMA. O setor de edificações representa 40% do consumo total de eletricidade. Portanto, é necessário o controle, especialmente para que o Brasil cumpra seus compromissos na redução de emissões de gases de efeito estufa.

Projetee

Milena (D): facilidade

Inédito no mundo, o Projeteee tem 20 mil acessos por mês na internet,
com informações bioclimáticas de 400 cidades.

 

DADOS DISPERSOS

“No Projeteee, agrupamos em um só local dados que existem dispersos”, afirma a coordenadora do 3E, Alexandra Maciel. “É uma ferramenta que não tem similar no mundo e tem sido utilizada por muitos profissionais, especialmente professores e alunos de arquitetura.”

 Diferente de qualquer ferramenta da construção civil, o Projeteee oferece dados específicos como chuvas, ventos e umidade da cidade em que se planeja a obra, assim como informações sobre materiais e desenhos próprios para uma projeção sustentável.
 E não é, por exemplo, apenas a direção natural dos ventos que interessa numa construção inteligente. A plataforma do MMA mostra também como aproveitá-lo melhor, levando-o a arejar a casa por meio de basculantes ou janelas estrategicamente planejadas, compondo trajetórias de ventilação que são similares até mesmo a uma chaminé, percorrendo diferentes andares da casa.

COMO FUNCIONA

 Logo ao se abrir a página do Projeteee, aparecem as abas direcionando os caminhos a serem seguidos: dados climáticos, estratégias bioclimáticas, componentes construtivos e equipamentos. A arquiteta Alexandra Maciel afirma que mesmo pessoas leigas podem entender as descrições que estão no site.

 Também são oferecidas informações sobre a capacidade térmica de cada material. Esse tipo de preocupação evita o uso de ar-condicionado, por exemplo, que gasta energia e causa problemas de saúde, principalmente a pessoas com tendências a alergias. E, claro, projetar desse modo é um ato consciente em relação ao uso dos recursos naturais e impactos ambientais.

 O Projeteee aconselha que se permita à massa térmica do piso absorver o calor direto do sol, para ser re-irradiado para o interior da casa à noite. Vidros duplos aumentam a resistência térmica, evitando grandes perdas noturnas. As janelas podem ser menores em uma cidade como Curitiba, onde faz bastante frio, e, se forem protegidas por pérgulas, essas podem ser menores também, se comparadas a cidades quentes.

“Quando a construção já é projetada integrando os conceitos de eficiência energética, se consegue reduzir o consumo de energia em pelo menos 50%, com paredes cobogós, observação de ventos predominantes, reflexão indireta de luz e com a proteção de fachadas contra o sol direto, que pode ser feita com brises ou mesmo com o plantio planejado de vegetação”, destacou Alexandra Maciel.

Uma das usuárias do site Projeteee é Milena Sampaio Cintra, sócia de uma empresa de arquitetura especializada em eficiência energética e conforto ambiental, além de dar aulas sobre etiquetagem em várias instituições do Brasil, inclusive na Universidade de Brasília. Etiquetagem se refere à classificação concedida pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que atesta o nível de eficiência energética em edificações e em projetos de construção.

 “O que tem sido interessante é a facilidade de se encontrarem informações no Projeteee”, afirmou. “Antes, as informações estavam em livros, em internet, mas demodo genérico para todas as cidades.” A arquiteta diz que os alunos em uma sala de aula em Brasília podem projetar uma obra com diretrizes adaptadas para o clima de Belém do Pará, sem nunca terem ido a essa cidade.  “As informações estão lá”, acrescentou.

 Ela destacou que o banco de dados sobre materiais pode crescer bastante, se for feita uma campanha para que fornecedores ofereçam ao site do MMA informaçõessobre as características de materiais de construção. “Lá já temos tipos de paredes, coberturas, gesso, lajes, telhas, lá está calculado o resultado das combinações, com suas características térmicas”, exemplificou a arquiteta.

Por: Cristina Ávila – Editor: Marco Moreira – Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA)