Aquecimento

Regista-se atualmente menos 40% de superfície ocupada por gelo no Ártico, desde que começaram os registos, em 1979.

Pelo menos a primeira metade de 2016 já é a mais quente desde que há registos. Junho foi o 14.º mês consecutivo em que as temperaturas foram as mais altas de sempre para o mês respetivo.

Se as temperaturas continuarem a bater recordes durante este ano, 2016 pode tornar-se no ano mais quente de sempre — mais exatamente desde que começou o registo, em 1880. A análise é da NASA e revela ainda que a temperatura média atual é 1,3ºC mais elevada em relação ao final do século XIX.

Como explica o El Mundo, desde abril de 2015 que todos os meses têm batido os recordes de temperaturas do respetivo mês. O mês passado foi o junho mais quente de sempre — e é necessário recuar 40 anos para encontrar um mês de junho com temperaturas abaixo da média do século XX, assinala o The Guardian.

Além disso, em cinco dos primeiros seis meses do ano, a extensão de gelo no Ártico foi a menor de sempre para os meses respetivos. A exceção foi o mês de março — que fica em segundo lugar na lista dos meses de março com menos gelo no Ártico.

Além da temperatura global, a extensão de gelo na zona do Ártico é um dos mais importantes indicadores das alterações climáticas. Em relação ao ano de 1979, em que começaram os registos, regista-se atualmente menos 40% de superfície ocupada por gelo no Ártico no pico do degelo que ocorre nos meses de verão.

A NASA explica, contudo, que não são os recordes individuais que devem preocupar, mas sim a tendência global do planeta. É que os dez anos mais quentes de sempre aconteceram depois de 1998. O ano de 2015 é o mais quente de sempre — mas tudo indica que será destronado por 2016.

Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA, explicou em conferência de imprensa que “é certo que a marca do El Niño se fez notar este ano, mas os registos são tão excecionais, principalmente no Ártico, que não se podem explicar apenas por este fenómeno no Pacífico”. O El Niño é um conjunto de fenómenos, associados a uma inversão das correntes marítimas, que acontecem com uma frequência irregular, no Oceano Pacífico, e que provocam um aumento das temperaturas da água e dos ventos. Este ano, os fenómenos fizeram-se sentir com bastante intensidade.

“Podemos dizer que 40% do aumento de temperatura em relação a 2015 se deve ao El Ninõ, e 60% se deve a outros fatores”, referiu Schmidt.

O Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, assinado em abril, procura evitar que o aumento da temperatura global no fim do século seja superior a 2ºC. Para este especialista da NASA, “os objetivos do Acordo de Paris são a longo prazo, e um ano que registe uma temperatura mais alta não quer dizer que tenhamos já atingido esse limite, da mesma forma que um ano com temperaturas mais baixas não nos livra do problema”.

De acordo com Gavin Schmidt, 2017 deverá ser um ano mais frio, devido ao fenómeno inverso ao El Niño — La Niña –, que irá provocar descidas de temperatura.

Imagem: Getty Images

Via Observador

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