Cerro_de_Pasco

Cerro de Pasco, cidade de 70 mil habitantes nos Andes peruanos, vive há 400 anos da extração de prata, cobre, zinco e chumbo de uma enorme jazida instalada, real e simbolicamente, no centro do município. A última edição americana da revista National Geographic traz artigo de Tony Dajer que descreve o drama da comunidade, cuja vida é dominada e totalmente inviabilizada pela cratera, que tem abertura de mais de 1,5 quilômetro de comprimento e é explorada pela Volcan Compañía Minera.

A cidade teve seus dias de glória e luxo, mas para a população local sobrou uma herança de impactos não-mitigados. Parte da área residencial e histórica de Cerro de Pasco foi devorada pela mina e o resto do município é permanentemente recoberto por material particulado dispersado pelo vento. A cidade apresenta índices recordes de contaminação por chumbo, que compromete o sistema neurológico e inteligência infantil e pode levar a convulsões e à morte. As crianças apresentam níveis do metal no sangue até quatro vezes acima dos padrões recomendados internacionalmente. Falta água potável, por causa da poluição dos lagos e rios que abasteciam a comunidade pelos rejeitos da mineração. Para compensar, caminhões-pipa vendem água a preços exorbitantes. Peixes e aves que habitavam os ecossistemas locais desapareceram.

Cerro de Pasco, no Peru. Foto de M Salomon/Flickr
Foto de M Salomon/Flickr

A reportagem descreve como a Justiça local liberou a contaminação dos recursos hídricos e como a empresa lavou as mãos quanto ao destino das famílias que sofreram contaminação por chumbo. Um porta-voz da Volcan, ouvido pela National Geographic, declara que a companhia cumpre com a legislação ambiental peruana e que promove campanhas de informação sobre higiene e limpeza, para reduzir os impactos da poluição. O fato de que boa parte dos 1.400 trabalhadores da mineradora não têm contrato e que a empresa passou por vários proprietários ao longo das décadas complicam ainda mais a negociação de direitos e responsabilidades.

Via Página 22 por Regina Scharf