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Os organizadores do festival Rock in Rio vão plantar um milhão de árvores nativas na bacia do rio Xingu, na Amazonia brasileira.

A iniciativa, anunciada na segunda-feira no Rio de Janeiro, faz parte de um projeto global chamado Amazonia Live, que tem como meta plantar pelo menos três milhões de árvores em áreas desmatadas até 2019.

A marca também anunciou um concerto com o tenor Plácido Domingo e a cantora brasileira Ivete Sangalo em agosto num palco flutuante montado na floresta amazónica.

Em declarações à agência Lusa, Roberto Medina, presidente do Rock in Rio, reforçou que a Amazónia é o “grande palco do mundo” e, por isso, a sociedade tem obrigação de cuidar da floresta.

“O projeto não beneficia apenas o Brasil, mas todos os países do mundo. A Amazónia tem 20% da água doce do mundo e transpira 20 mil milhões de litros de água por dia. Ela interfere no meio ambiente do planeta como um todo”, destacou.

Além do milhão de árvores garantidas pelo festival, outros parceiros como o Banco Mundial já se comprometeram com a causa elevando este número para 2,1 milhões de árvores.

Dados divulgados pela Nasa (sigla em inglês da agência espacial norte-americana) revelaram que o ano de 2015 foi o mais quente desde 1880. Uma das principais causas do aquecimento global é o desmatamento.

João Branco, presidente da Organização Não Governamental (ONG) Quercus, de Portugal, lembrou que o projeto corrobora com o acordo assinado por 190 países na COP21 (Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas), realizada no ano passado em Paris.

“Nesta conferência, os participantes reconheceram que a reflorestação é fundamental no combate às alterações climáticas. Recuperar a mata é o único meio natural conhecido até hoje de retirar carbono da atmosfera”, explicou.

Segundo João Branco, é difícil atrair jovens para os movimentos ambientalistas, pelo que o projeto do Rock in Rio pode ser uma “alavanca muito importante para aproximar os jovens dos problemas ambientais em Portugal e no Brasil”.

Para a representante da ONG Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) Rosa Lemos Sá, recuperar florestas é importante para o clima, mas também para garantir a alimentação de milhões de pessoas e a qualidade do volume de água doce do mundo.

Citando dados do WRI (World Resources Institute), a especialista afirmou que somente 15% das florestas nativas do mundo estão de pé. Outras 30% já foram destruídas, 15% estão degradadas e as restantes sobrevivem de maneira fragmentada.

Segundo a Rede Amazónica de Informação Socio-ambiental Georreferenciada (Raisg), de 1500 a 1977, cerca de 4,7% da Amazónia foi desmatada. Nos últimos 36 anos, porém, este número subiu para 18%.

Sobre a reflorestação no Xingu, Rodrigo Junqueira, da ONG Instituto Socioambiental, explicou que a bacia do rio tem 51 milhões de hectares, mas sofreu danos nos últimos 25 anos em virtude de um processo de ocupação desordenado.

“Quase seis milhões de florestas deram lugar a pastos e plantações de grãos, causando grandes danos. Agora, vamos plantar um milhão de árvores para reverter este quadro de degradação usando máquinas agrícolas e plantar sementes em diferentes áreas”, afirmou.

Os recursos do Rock in Rio e parceiros serão administrados pela Funrio, com ações executadas pelo Instituto socio-ambiental. A ação pretende gerar renda para agricultores locais e as comunidades ribeirinhas, que contribuirão fazendo a coleta das sementes.

RTP Notícias

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