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Que muitas pessoas compram por impulso roupas que nunca vão usar, todos sabem, mas uma iniciativa promete dar novo uso a essas pobres peças que estão no fundo do armário: uma “biblioteca de moda”, na qual os usuários não compram imediatamente roupas e calçados de interesse, apenas levam para casa por empréstimo, provam e, então, a compra é apenas uma opção.

Fundada em Amsterdã, na Holanda, e chamada de Lena, The Fashion Library (biblioteca de moda), o conceito propõe a moda sustentável, já que, ao ter mais contato com as peças por mais tempo, clientes podem fazer uma escolha consciente dos benefícios em comprá-las. Bem diferente do impulso que muitos temos ao provar uma peça por apenas alguns minutos em uma loja de departamento, não é mesmo?

O acesso à biblioteca é exclusivo para membros da Lena, o que custa 10 euros pagos uma única vez, além de uma taxa mensal entre 20 e 50 euros, com direito a um cartão para registrar os empréstimos. Membros têm acesso a 1.700 peças femininas, entre itens vintage e moda conceitual, com um giro de 500 peças emprestadas atualmente. Cada item pego acumula no cartão: 50 pontos para peças de vestuário e 100 para as de design, que podem ser trocados por compras em definitivo. Os clientes ainda podem emprestar suas próprias roupas à biblioteca temporariamente, acumulando mais pontos.

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Para melhorar, além do empréstimo não ter tempo definido, o estabelecimento ainda ‘faz vista grossa’ para três danos ocorridos às peças, como manchas, fios ou botões soltos e até pequenos furos, o que deixa a clientela bem confortável para curtir os produtos. A partir do quarto, o membro precisa pagar uma taxa de 25% do valor de etiqueta para pagar o conserto. Se perder a roupa, tem de pagar o valor integral.

O excesso de consumo de produtos do segmento inspirou a iniciativa e é apontado pelas idealizadoras como um dos maiores problemas da indústria da moda. “Somente na Holanda consumimos mais de 240 milhões de quilos de tecidos por ano, com circunstâncias ruins para toda a cadeia produtiva”, alerta a idealizadora Suzanne Smulders, se referindo a problemas como desperdício de materiais e descarte inadequado em seu país.

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E o problema não é só por lá: no Brasil, os consumidores gastaram em média 800 reais com roupas em 2014, quase 10% mais que o salário mínimo, que no ano passado era de 744 reais. Em pesquisa do site britânico My Celebrity Fashion realizada com 1.623 mulheres de 18 a 30 anos, 79% delas declararam já ter comprado peças de roupa sabendo que nunca iriam usá-las e 91% confessou possuir ao menos um item de moda ainda com etiqueta!

Mas o mundo está mudando, ao menos se depender das idealizadoras  da Lena (abaixo), que declararam ao site FastCoExist sonhar com o dia em que poderão viajar somente com a mala de mão e um cartão de membro e ter acesso ao guarda-roupas gigantesco da Lena em qualquer parte!

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Via Mundoidão – atl.clicrbs.com.br